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Entenda o que é prolapso retal, os sintomas, diagnóstico e tratamento

Doenças do Ânus3 de jul. de 20265 min min de leituraPor Dr. Fernando Bray
Entenda o que é prolapso retal, os sintomas, diagnóstico e tratamento

No meu consultório, é muito comum receber pacientes, ou filhos trazendo seus pais idosos, com a queixa de que surgiu uma hemorroida gigante que saiu para fora e não retornou mais.

No entanto, após o exame proctológico, o diagnóstico correto na maioria das vezes é outro: prolapso retal.

Qual a diferença entre prolapso retal e hemorroida?

Embora ambas as condições causem a sensação de um tecido saindo pelo ânus, elas são completamente diferentes.

A doença hemorroidária consiste na inflamação e no inchaço das veias da região anal. Já o prolapso retal é a perda da fixação do próprio reto. Significa que uma parte do reto se soltou de suas paredes musculares e escorregou para fora da pelve através do ânus.

Enquanto a hemorroida costuma causar sangramento vivo e dor quando inflamada, o prolapso se caracteriza por uma exteriorização volumosa de tecido, que se assemelha a um cilindro ou tubo avermelhado.

O que causa o prolapso retal?

As causas do prolapso estão diretamente ligadas ao enfraquecimento crônico dos músculos e ligamentos do assoalho pélvico. Esse enfraquecimento pode ser decorrente de:

● Anos de constipação severa com esforço evacuatório repetitivo

● Múltiplos partos vaginais

● Cirurgias pélvicas prévias

● O próprio processo natural de envelhecimento e perda de tônus muscular

● Doenças neurológicas como Alzheimer e Parkinson

Essa condição é especialmente frequente em idosos de idade avançada, naqueles que enfrentam doenças neurológicas e em pacientes acamados.

Como o prolapso retal progride?

No início da doença, o tecido costuma sair apenas durante o esforço para evacuar e retorna sozinho. Com a progressão do quadro, ele passa a sair ao tossir, caminhar ou simplesmente ao ficar de pé, exigindo que o paciente o empurre manualmente para dentro.

Trata-se de uma condição que gera muita vergonha e isolamento social. Por esse motivo, muitos idosos escondem o problema dos familiares por meses, até que surjam complicações como sangramento, ulceração do tecido exposto ou encarceramento do reto.

Orientações para familiares e cuidadores

Se você é filho ou cuidador de um idoso que convive com essa condição, existem instruções fundamentais para o dia a dia dele.

Quando o intestino se exteriorizar:

O tecido não deve permanecer exposto por muito tempo, pois pode ressecar, inflamar e sofrer redução do fluxo sanguíneo. Com as mãos higienizadas e utilizando luvas, faça uma pressão leve, contínua e delicada para guiar o tecido de volta para dentro.

Atenção: nunca force muito. Se notar que o tecido está muito roxo, escuro, excessivamente inchado ou se o idoso manifestar dor intensa, interrompa a manobra imediatamente. Nesses casos, cubra a região com uma gaze limpa e úmida e encaminhe o paciente ao pronto-socorro. Esses sinais podem indicar encarceramento ou estrangulamento do tecido, situações que exigem atendimento de urgência.

Cuidados diários que fazem diferença:

● Evitar que o idoso passe longos períodos sentado no vaso sanitário fazendo esforço

● Utilizar apoios para os pés durante a evacuação, o que ajuda a melhorar a postura evacuatória e reduzir a necessidade de esforço

● Ajustar rigorosamente a dieta com fibras e líquidos para manter as fezes mais amolecidas

● Manter a região perianal limpa e hidratada para evitar irritação do tecido

Qual o tratamento do prolapso retal?

É importante esclarecer que não existem pomadas ou medicamentos capazes de curar o prolapso retal. O tratamento definitivo para o prolapso completo é cirúrgico. A cirurgia tem o objetivo de reposicionar e fixar o intestino em seu lugar anatômico correto, além de reforçar a musculatura da região.

A tomada de decisão sobre a cirurgia é sempre individualizada, especialmente quando avaliamos pacientes idosos. Dispomos de dois caminhos principais:

Cirurgia por via abdominal (retopexia):

Pode ser realizada por cirurgia robótica ou laparoscopia. O cirurgião acessa a cavidade abdominal, reposiciona o reto e o fixa à estrutura óssea da pelve (sacro), restaurando a anatomia. É uma técnica excelente, com resultados duradouros e menor taxa de recidiva.

A cirurgia robótica traz vantagens adicionais nesse procedimento: a visão tridimensional ampliada e as pinças articuladas permitem uma dissecção precisa na pelve profunda, região de acesso limitado, preservando nervos e estruturas vasculares com maior segurança.

Cirurgia por via perineal (pela região anal):

Essa abordagem é reservada para idosos mais frágeis, acamados ou que apresentam comorbidades cardíacas e pulmonares que contra indicam uma cirurgia com anestesia geral. É um procedimento mais rápido, que pode ser feito sob raquianestesia e sedação. Essa técnica retira o excesso de tecido sem a necessidade de entrar na cavidade abdominal, oferecendo menor risco cirúrgico e um alívio significativo na qualidade de vida do paciente.

As principais técnicas por via perineal incluem a cirurgia de Delorme (ressecção da mucosa com plicatura muscular) e a cirurgia de Altemeier (ressecção do segmento prolapsado com anastomose).

FAQ: Perguntas frequentes sobre prolapso retal

Prolapso retal é a mesma coisa que hemorroida?

Não. Embora ambas as condições possam causar a sensação de tecido saindo pelo ânus, são doenças completamente distintas. A hemorroida envolve as veias da região anal, enquanto o prolapso retal é o deslizamento do próprio reto para fora do corpo. O exame proctológico diferencia facilmente as duas condições.

Prolapso retal tem cura sem cirurgia?

O prolapso retal completo não se resolve com medicamentos, pomadas ou exercícios. Medidas conservadoras como dieta rica em fibras, controle da constipação e fisioterapia pélvica podem aliviar os sintomas e evitar a progressão, mas o tratamento definitivo é cirúrgico. Em prolapsos internos (estágios muito iniciais), o tratamento conservador pode ser suficiente, desde que acompanhado por um especialista.

Idosos muito debilitados podem operar?

Sim. A cirurgia por via perineal foi desenvolvida justamente para pacientes que não toleram anestesia geral ou cirurgias abdominais. É um procedimento mais curto, com menor agressão ao organismo e recuperação mais rápida. A avaliação do risco cirúrgico é sempre individualizada, levando em conta as condições clínicas de cada paciente.

O prolapso retal pode voltar depois da cirurgia?

Existe risco de recidiva, que varia conforme a técnica utilizada. A cirurgia por via abdominal (retopexia) apresenta taxas de recidiva menores do que as técnicas perineais. Manter o controle da constipação, evitar esforço evacuatório excessivo e fortalecer o assoalho pélvico com fisioterapia são medidas que ajudam a prevenir o retorno do prolapso.

Esse é um texto informativo e não substitui a consulta médica. O prolapso retal é uma condição médica que possui tratamento eficaz, capaz de devolver a dignidade, o conforto e a saúde ao paciente. Se você ou um familiar convivem com esses sintomas, o acompanhamento com um coloproctologista é o primeiro passo que precisa ser dado.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Dr. Fernando Bray
Dr. Fernando Bray

Coloproctologista e gastrocirurgião. Doutor e Mestre em Ciências da Saúde, coordenador do Núcleo de Cirurgia Robótica do Hospital Santa Catarina Paulista. CRM-SP 124.696 · RQE 34914 · RQE 35880 · RQE 37825.

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