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Hemorroidas: tratamento sem cirurgia e como aliviar os sintomas

Doenças do Ânus15 de mai. de 20265 min min de leituraPor Dr. Fernando Bray
Hemorroidas: tratamento sem cirurgia e como aliviar os sintomas

Quando alguém descobre que tem uma hemorroida, a primeira pergunta que costuma fazer é se vai precisar de cirurgia. 

E eu entendo muito bem essa preocupação. Afinal, ninguém quer passar por um procedimento cirúrgico se existe uma forma mais simples de resolver o problema.

A boa notícia é que, na maioria dos casos, a hemorroida pode ser tratada sem cirurgia

Em crises de dor aguda ou em quadros de sangramento leve, pequenas mudanças de hábitos combinadas com medicamentos e cuidados locais costumam resolver o incômodo.

Neste artigo, vou explicar de forma clara como tratar a hemorroida em casa, quais medicamentos ajudam de verdade e quando um procedimento ambulatorial simples pode substituir a sala de cirurgia.

O que é uma hemorroida e por que ela aparece?

A hemorroida é um enovelado de veias e artérias pequenas presentes na mucosa do canal anal. 

Todo mundo tem essas estruturas, que ajudam no controle da evacuação. O problema começa quando esses vasos aumentam muito de volume e começam a sair para fora do ânus, provocando sintomas como sangramento, coceira, prolapso e desconforto.

Entre os principais fatores que favorecem o aparecimento da hemorroida estão a constipação intestinal, o esforço ao evacuar, a gravidez, o sedentarismo e o hábito de ficar muito tempo sentado no vaso sanitário. 

Se você quer entender melhor a origem do problema, recomendo a leitura do texto o que são hemorroidas no meu blog.

A hemorroida tem cura sem cirurgia?

Essa é uma das dúvidas mais comuns no consultório. Um estudo publicado no Journal of Coloproctology analisou dados do SUS e identificou mais de 270 mil internações por doença hemorroidária no Brasil entre 2011 e 2020, sendo a maior parte dos casos resolvida sem procedimentos cirúrgicos.

Especialistas da área estimam que a cirurgia é necessária em apenas 20% dos casos

Ou seja, a grande maioria dos pacientes responde bem ao tratamento clínico, com medicamentos, pomadas e mudança de rotina.

O caminho sem cirurgia depende do tipo de sintoma. Vamos separar em duas situações bem diferentes. 

A primeira é a hemorroida inflamada, que geralmente é uma trombose. A segunda é a hemorroida que sangra ou sai para fora sem causar dor.

Tratamento para hemorroida inflamada (trombose hemorroidária)

Quando a hemorroida está inflamada, na maior parte das vezes trata-se de uma trombose de hemorroida externa

O paciente costuma relatar uma dor anal súbita, que apareceu algumas horas depois de uma evacuação difícil, com fezes endurecidas ou muito volumosas.

O atrito com o canal anal provoca a formação de um coágulo, que vira uma bolinha bem dolorida na borda do ânus.

Nas primeiras 48 horas, use compressa de gelo

Se você está no primeiro ou segundo dia após o aparecimento da bolinha, a compressa de gelo é sua melhor aliada. 

Envolva algumas pedras de gelo em um pano de prato ou em um guardanapo de pano e aplique por alguns minutos. O frio ajuda a impedir que o coágulo inche ainda mais.

Depois do segundo dia, banho de assento com água morna

Essa é uma dúvida que sempre ouço. Muita gente pergunta se o melhor não seria o calor local logo de cara. 

Mas a verdade é que o gelo tem papel importante nos dois primeiros dias e o banho de assento com água morna entra em cena só depois disso. O calor auxilia na vasodilatação e na reabsorção do coágulo.

Durante a crise, dois cuidados são fundamentais. O primeiro é não deixar as fezes endurecerem. 

O segundo é abandonar o papel higiênico, que agride ainda mais a pele já inflamada. Troque pela ducha higiênica ou por lenços umedecidos sem álcool e sem fragrância.

Medicamentos que auxiliam no alívio da dor

Além do gelo e do banho de assento, alguns medicamentos ajudam bastante no controle da crise. Os mais utilizados são:

  • Anti-inflamatórios orais como diclofenaco, cetoprofeno, nimesulida e etodolaco;

  • Flavonoides como rutina, diosmina e hesperidina;

  • Pomadas com ação cicatrizante, anestésica e anticoagulante, contendo substâncias como óxido de zinco, lidocaína, hidrocortisona e heparina.

Esses recursos, quando combinados, costumam aliviar bem a dor e reduzir o inchaço da trombose. 

O uso da associação de diosmina com hesperidina, por exemplo, tem eficácia comprovada em estudos randomizados que mostraram melhora significativa da dor e do sangramento na crise aguda, conforme discutido pelo Ministério da Saúde.

Evite a automedicação, combinado? O tratamento da hemorroida não é receita de bolo. Cada paciente tem particularidades que precisam ser avaliadas pelo coloproctologista. 

Para saber mais sobre o tema, veja também o artigo sobre pomadas para hemorroidas.

Tratamento para hemorroida que sangra ou sai para fora

Quando não há dor, mas a pessoa percebe sangue no papel higiênico ou na água do vaso, ou ainda sente a hemorroida saindo pelo ânus, estamos falando de doença hemorroidária interna

Se esse é o seu caso, o texto sobre sangue nas fezes traz explicações complementares.

Para o sangramento, costumo prescrever pomadas e cremes com vasoconstritores como fenilefrina, além de fitoterápicos como davilla rugosa, hamamelis virginiana, castanha da índia e polygonum hydropiper. 

Cicatrizantes locais com óxido de zinco, subgalato de bismuto e policresuleno também ajudam no processo.

A compressa fria após a higienização é útil quando o sangramento apareceu logo depois da evacuação. 

Já o banho de assento com água morna, mesmo não resolvendo o sangramento em si, acalma a irritação da pele ao redor do ânus. 

Chás anti-inflamatórios como camomila e espinheira santa contribuem para esse alívio local.

Mudanças de hábito que realmente fazem diferença

Mais do que qualquer medicamento, é a mudança de hábitos que sustenta o tratamento no longo prazo. Os pontos em que mais insisto com meus pacientes são:

  • Cuidar da consistência das fezes, que não podem estar endurecidas nem ressecadas;

  • Beber pelo menos 2 litros de água por dia;

  • Incluir fibras na alimentação, com frutas, verduras e cereais integrais;

  • Evitar ficar muito tempo sentado no vaso sanitário, nada de celular no banheiro;

  • Trocar o papel higiênico pela ducha higiênica ou pelo lenço umedecido;

  • Praticar atividade física regularmente.

Quando o paciente adota esse conjunto de cuidados, a frequência do sangramento reduz de forma significativa e a hemorroida passa a responder bem ao tratamento clínico.

Ligadura elástica, a alternativa sem cortes quando os medicamentos não bastam

E quando a hemorroida continua saindo para fora e sangrando mesmo com todos esses cuidados? 

Nessas situações, ainda é possível evitar a cirurgia convencional com um procedimento pouco invasivo chamado ligadura elástica.

A técnica é bem simples de entender. O coloproctologista identifica a hemorroida com maior potencial de sangramento e coloca um anel de elástico ou de silicone na base dela. 

Sem circulação sanguínea, o tecido seca, murcha e se solta sozinho em poucos dias.

A ligadura elástica é indicada para hemorroidas de grau I, II e III. No grau IV, quando a hemorroida já não volta mais para dentro nem com ajuda manual, essa técnica deixa de ser eficaz.

O procedimento pode ser feito em consultório, mas prefiro realizá-lo em centro cirúrgico com o paciente sedado. 

Fica muito mais confortável para quem recebe o tratamento e também mais eficaz, porque consigo trabalhar sem que o paciente se contraia ou se mexa durante o procedimento.

Quando a cirurgia se torna inevitável?

Mesmo com todas essas alternativas, uma pequena parcela dos pacientes vai acabar precisando de cirurgia. 

Isso costuma acontecer em hemorroidas de grau IV, em casos de sangramento persistente que não respondem ao tratamento clínico, ou em tromboses muito extensas que comprometem toda a circunferência do ânus.

A boa notícia é que, mesmo quando a cirurgia é indicada, hoje existem técnicas minimamente invasivas com pós-operatório muito mais tranquilo do que no passado, como o laser de diodo e a desarterialização hemorroidária. Mas isso é assunto para outro artigo.

Conclusão

O medo da cirurgia leva muita gente a adiar o cuidado com a hemorroida, e esse é o pior caminho possível. 

Quanto antes o problema é diagnosticado, maiores as chances de resolver tudo sem precisar passar pela sala de cirurgia.

Revise sua alimentação, aumente a ingestão de água, movimente o corpo e não ignore sintomas como sangramento, dor ou prolapso. 

Se algo está te incomodando, procure um coloproctologista. Avaliação precoce faz toda a diferença no desfecho do tratamento.

Sou o Dr. Fernando Bray, coloproctologista e cirurgião do aparelho digestivo em São Paulo, com mestrado e doutorado na área.

No meu consultório, conduzo o tratamento da doença hemorroidária de forma individualizada, priorizando sempre que possível as soluções sem cirurgia.

Se você convive com sintomas de hemorroida e quer entender qual é a melhor abordagem para o seu caso,clique aqui e agende sua consulta. Cuidar da sua saúde anal pode ser mais simples do que parece.

Dr. Fernando Bray
Dr. Fernando Bray

Coloproctologista e gastrocirurgião. Doutor e Mestre em Ciências da Saúde, coordenador do Núcleo de Cirurgia Robótica do Hospital Santa Catarina Paulista. CRM-SP 124.696 · RQE 34914 · RQE 35880 · RQE 37825.

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