
Doenças do Intestino
Incontinência fecal: causas, diagnóstico e tratamento
Entenda o que é incontinência fecal, quais as principais causas, como é feito o diagnóstico e as opções de tratamento disponíveis. Guia de especialista.

A hérnia de hiato é uma condição mais comum do que se imagina. Estima-se que até 20% da população apresente algum grau de hérnia hiatal, e muitas pessoas convivem com ela sem sequer saber.
Na maioria dos casos, a hérnia de hiato é pequena e não causa sintomas. Entretanto, quando atinge proporções maiores ou está associada à doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), pode comprometer significativamente a qualidade de vida do paciente.
Se você já sentiu queimação no peito após as refeições, regurgitação ácida, sensação de bolo na garganta ou dificuldade para engolir, a hérnia de hiato pode ser uma das causas.
Neste artigo, vou explicar o que é essa condição, como ela se forma, quais os sintomas, quando o tratamento clínico resolve e em que momento a cirurgia se torna necessária.
Para entender a hérnia de hiato, é preciso conhecer uma estrutura chamada hiato esofágico. Trata-se de uma abertura natural no diafragma (o músculo que separa o tórax do abdome) por onde o esôfago passa para se conectar ao estômago.
A hérnia de hiato ocorre quando parte do estômago se desloca para cima, através dessa abertura, e passa a ocupar um espaço dentro do tórax que normalmente não deveria ocupar.
Esse deslocamento pode enfraquecer o esfíncter esofágico inferior, que é a válvula natural que impede o conteúdo ácido do estômago de subir para o esôfago. Quando essa válvula não funciona adequadamente, surge o refluxo gastroesofágico.
Hérnia de hiato por deslizamento (Tipo I): É o tipo mais comum, responsável por cerca de 90% dos casos. A junção entre o esôfago e o estômago desliza para cima do diafragma. Geralmente está associada ao refluxo gastroesofágico.
Hérnia de hiato paraesofágica (Tipo II, III e IV): Menos frequente, porém potencialmente mais grave. Nesse tipo, parte do fundo do estômago se projeta para o tórax ao lado do esôfago, enquanto a junção esofagogástrica pode permanecer na posição normal (Tipo II) ou também se deslocar (Tipos III e IV). As hérnias paraesofágicas grandes podem causar compressão de estruturas torácicas e, em casos raros, estrangulamento do estômago.
A formação da hérnia de hiato está relacionada ao enfraquecimento progressivo do hiato diafragmático. Os principais fatores que contribuem para esse enfraquecimento são:
Envelhecimento natural dos tecidos
Aumento crônico da pressão intra-abdominal (obesidade, gravidez, tosse crônica, constipação, esforço físico intenso)
Predisposição genética com frouxidão dos tecidos de sustentação
Tabagismo, que prejudica a qualidade do colágeno e dos tecidos musculares
Cirurgias prévias na região do esôfago ou estômago
A condição é mais frequente em pessoas acima de 50 anos e com excesso de peso.
Muitas hérnias de hiato pequenas são completamente assintomáticas e descobertas por acaso em exames realizados por outros motivos.
Quando há sintomas, os mais comuns estão relacionados ao refluxo gastroesofágico:
Queimação ou azia retroesternal (atrás do osso do peito), especialmente após refeições
Regurgitação ácida com gosto amargo na boca
Sensação de bolo ou nó na garganta
Dificuldade para engolir (disfagia)
Tosse seca crônica, principalmente à noite
Rouquidão matinal
Dor no peito que pode ser confundida com dor cardíaca
Eructações frequentes (arrotos)
Estufamento após comer
Nos casos de hérnias grandes, podem ocorrer sintomas mais intensos como dor torácica, falta de ar após refeições (por compressão do pulmão), anemia por sangramento crônico da mucosa e, em situações graves, vômitos com incapacidade de se alimentar.
A hérnia de hiato e o refluxo gastroesofágico frequentemente coexistem, mas são condições diferentes. Nem toda hérnia causa refluxo, e nem todo refluxo é causado por hérnia.
No entanto, quando a hérnia de hiato desloca o esfíncter esofágico inferior para dentro do tórax, ele perde o apoio do diafragma e funciona de forma menos eficiente. Esse é um dos mecanismos que facilitam o refluxo patológico.
Pacientes com hérnias maiores tendem a ter refluxo mais intenso, maior exposição do esôfago ao ácido e, consequentemente, maior risco de complicações como esofagite erosiva, esôfago de Barrett e, em casos raros, adenocarcinoma de esôfago.
O diagnóstico da hérnia de hiato pode ser feito por meio de diferentes exames:
Endoscopia digestiva alta: É o exame mais solicitado inicialmente. Permite visualizar a hérnia, avaliar se existe esofagite (inflamação do esôfago) e coletar biópsias quando necessário.
Seriografia esofagogástrica: Exame radiológico com contraste que mostra com nitidez o formato e o tamanho da hérnia, sendo muito útil para o planejamento cirúrgico.
Manometria esofágica: Avalia a pressão e o funcionamento das contrações do esôfago e do esfíncter esofágico inferior. Fundamental antes de indicar cirurgia.
pHmetria de 24 horas: Mede a quantidade de ácido que reflui para o esôfago ao longo de um dia. Confirma se o refluxo é patológico e ajuda a quantificar sua gravidade.
A associação desses exames oferece ao cirurgião uma visão completa da anatomia e da função esofagogástrica do paciente, permitindo definir a melhor estratégia de tratamento.
O tratamento depende do tipo de hérnia, da intensidade dos sintomas e da presença de complicações.
Para hérnias pequenas com sintomas leves a moderados de refluxo, o tratamento inicial é clínico e inclui:
Mudanças alimentares: evitar café, chocolate, frituras, álcool, refrigerantes, alimentos ácidos e refeições volumosas
Não deitar logo após as refeições (aguardar pelo menos 2 a 3 horas)
Elevar a cabeceira da cama em 15 a 20 centímetros
Perda de peso em pacientes com sobrepeso ou obesidade
Cessar o tabagismo
Uso de medicamentos inibidores da bomba de prótons (classe do omeprazol) para reduzir a acidez gástrica
Procinéticos para melhorar o esvaziamento do estômago
A cirurgia é indicada quando:
Os sintomas persistem ou recorrem apesar do tratamento clínico otimizado
O paciente necessita de uso contínuo de medicações em doses altas por tempo prolongado
Existem complicações como esofagite grave, estenose (estreitamento) do esôfago ou esôfago de Barrett
A hérnia é do tipo paraesofágica com risco de estrangulamento
O paciente é jovem e prefere a resolução definitiva à dependência de medicamentos por décadas
A cirurgia mais realizada é a fundoplicatura, que consiste em envolver a parte superior do estômago ao redor do esôfago inferior, recriando uma válvula antirrefluxo eficiente. Simultaneamente, a hérnia é reduzida (o estômago é reposicionado no abdome) e o hiato diafragmático é reparado com pontos, diminuindo a abertura para evitar que o estômago suba novamente.
O procedimento é realizado preferencialmente por videolaparoscopia ou cirurgia robótica, através de pequenas incisões no abdome. As vantagens incluem menos dor pós-operatória, recuperação mais rápida, menor tempo de internação (geralmente 24 a 48 horas) e melhor resultado estético.
Nas primeiras semanas após a cirurgia, o paciente segue uma dieta progressiva:
Primeira semana: dieta líquida (caldos, sucos coados, água de coco, gelatina)
Segunda e terceira semanas: dieta pastosa (purês, sopas batidas, iogurte)
A partir da quarta semana: reintrodução gradual de alimentos sólidos
É normal sentir certa dificuldade para engolir nos primeiros dias, que melhora progressivamente conforme o inchaço da cirurgia diminui.
O retorno às atividades leves ocorre de 7 a 10 dias. Atividades físicas mais intensas são liberadas após 30 dias, conforme orientação médica.
Hérnia de hiato é perigoso?
Na maioria dos casos, a hérnia de hiato por deslizamento não representa perigo imediato. O risco aumenta quando há refluxo intenso com complicações esofágicas, ou quando se trata de uma hérnia paraesofágica grande que pode causar estrangulamento do estômago. A avaliação médica define o nível de risco de cada caso.
Hérnia de hiato volta depois da cirurgia?
A taxa de recidiva após a cirurgia é baixa quando o procedimento é realizado por cirurgião experiente com técnica adequada. Fatores como obesidade, tosse crônica e esforço abdominal excessivo podem aumentar o risco de recorrência. Por isso, manter o peso controlado e hábitos saudáveis é parte importante do resultado a longo prazo.
Quem tem hérnia de hiato pode fazer exercício físico?
Sim. A atividade física regular é inclusive recomendada, pois auxilia no controle do peso e na motilidade gastrointestinal. No entanto, exercícios que aumentam muito a pressão abdominal (como levantamento de peso muito pesado) podem agravar os sintomas de refluxo em alguns pacientes. A orientação deve ser individualizada.
Qual médico procurar para hérnia de hiato?
O acompanhamento inicial pode ser feito pelo gastroenterologista. Quando há indicação cirúrgica, o procedimento é realizado pelo cirurgião do aparelho digestivo com experiência em cirurgia minimamente invasiva. Procure um profissional com título de especialista para uma avaliação criteriosa.
Esse é um texto informativo e não substitui a consulta médica. Procure um especialista para avaliação, diagnóstico e planejamento do tratamento adequado ao seu caso.
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