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O que são probióticos e prebióticos? Entenda a diferença e como usá-los corretamente

11 de jul. de 20265 min min de leituraPor Dr. Fernando Bray
O que são probióticos e prebióticos? Entenda a diferença e como usá-los corretamente

A saúde do nosso intestino e o equilíbrio da nossa flora intestinal, também chamada de microbioma, é um dos temas mais discutidos na gastroenterologia atual.

Para você entender a importância disso, pense no seu intestino não apenas como um órgão, mas como uma imensa metrópole. Uma cidade viva, habitada por trilhões de microrganismos. Entre eles, temos bactérias boas, que trabalham para a nossa saúde, e bactérias ruins, que podem causar doenças que se proliferarem demais.

É aqui que entram os famosos probióticos e prebióticos. Apesar dos nomes parecidos, eles têm funções completamente diferentes e complementares.

O que são probióticos?

Vamos começar pelos probióticos, com a letra "O".

A definição médica é simples: probióticos são microrganismos vivos, passíveis de reprodução e multiplicação, que, quando consumidos em quantidades adequadas, trazem benefícios para a saúde do hospedeiro.

Em termos práticos, eles são os "soldados do bem" ou os "bons cidadãos" da nossa metrópole intestinal. Os mais conhecidos pertencem a famílias como os Lactobacillus, Bifidobacterium, Saccharomyces e a Akkermansia.

Quando ingerimos um probiótico, seja por alimento ou cápsula, essas bactérias precisam resistir ao ácido do estômago, chegar vivas ao intestino e se fixar lá para proliferarem e começarem a trabalhar em nosso favor.

Como os probióticos funcionam na prática?

Qual é o trabalho deles lá dentro? Na verdade, é um trabalho triplo.

1. Competição por espaço e por comida

Se o seu intestino estiver cheio de bactérias boas, as ruins não conseguem se instalar. É o princípio da exclusão competitiva: quem chega primeiro e ocupa o território impede a colonização dos invasores.

2. Produção de substâncias antimicrobianas

Os probióticos produzem substâncias como peptídeos antimicrobianos e peróxido de hidrogênio, que tornam o ambiente intestinal hostil para os germes nocivos e que podem eliminar bactérias ruins e fungos.

3. Comunicação direta com o sistema imunológico

Cerca de 70% das nossas células de defesa estão no intestino. Os probióticos ajudam a treinar essas células para nos proteger melhor contra infecções, por meio de uma imunomodulação por interação direta com nossas células imunes, como macrófagos, plasmócitos e linfócitos.

Além disso, aumentam a produção de muco protetor na mucosa intestinal, diminuindo a permeabilidade intestinal para bactérias ruins, vírus, alérgenos e toxinas.

O que são prebióticos?

Agora vamos aos prebióticos, com a letra "E". Aqui está a grande confusão que as pessoas fazem.

Os prebióticos não são seres vivos. Eles não são bactérias. São, fundamentalmente, componentes alimentares não digeríveis que auxiliam na proliferação e atividade das bactérias desejáveis do intestino.

Sabe aquela fibra da aveia, do alho, da cebola ou da banana verde, que o nosso estômago e o nosso intestino delgado não conseguem quebrar e absorver? Elas passam intactas por todo o caminho até chegarem ao cólon, o intestino grosso. E quem está esperando por elas lá? As bactérias boas.

Os prebióticos são o "banquete", um combustível de alta qualidade que serve exclusivamente para nutrir e multiplicar os probióticos que já moram em você.

Os tipos mais comuns encontrados nos rótulos e nas prescrições são:

● Inulina

● FOS (fruto-oligossacarídeos)

● GOS (galacto-oligossacarídeos)

● Goma acácia

● Goma guar

● Psyllium

Por que probióticos e prebióticos precisam trabalhar juntos?

Perceba a conexão perfeita entre os dois: um não funciona bem sem o outro.

Se você toma cápsulas de probióticos, mas se alimenta mal, com muito açúcar e ultraprocessados, essas bactérias boas vão morrer de fome no seu intestino. Por outro lado, se você come fibras (prebióticos), mas sua flora e microbiota estão devastadas, não haverá bactérias boas suficientes para aproveitar esse alimento.

Quando juntamos os dois no mesmo tratamento, chamamos isso de efeito simbiótico. É o soldado e seus mantimentos caminhando juntos para o controle adequado do funcionamento intestinal.

Quando a reposição de probióticos e prebióticos é indicada?

As indicações clínicas mais estabelecidas incluem:

Durante ou após o uso de antibióticos: os antibióticos são excelentes para curar infecções, mas agem como uma bomba no intestino, eliminando tanto as bactérias ruins quanto a microbiota saudável. A reposição nesse caso é fundamental para a manutenção da saúde intestinal e para evitar quadros de diarreia associada a antibióticos

Síndrome do intestino irritável (SII): para reduzir aquela sensação crônica de estufamento, gases e dor abdominal

Diarreia infecciosa aguda: para auxiliar na recuperação da flora intestinal e reduzir a duração do quadro

Constipação crônica: em casos selecionados, ajudam a regular a consistência das fezes e o ritmo do trânsito intestinal

Gestação: o uso de probióticos pode diminuir a constipação, e estudos apontam possível redução do risco de pré-eclâmpsia e de parto prematuro

Intolerâncias alimentares e alergias: a reposição desempenha um papel importante na modulação da resposta imunológica e na melhora da tolerância alimentar

Risco cardiovascular: evidências crescentes apontam benefícios na modulação do perfil lipídico e de marcadores inflamatórios

Saúde mental: existem estudos que descrevem benefícios do uso de probióticos no tratamento de depressão, dentro do conceito do eixo intestino-cérebro, uma área de pesquisa em expansão na medicina

Como fazer a reposição na prática?

Existem dois caminhos:

Pela alimentação:

Fontes de probióticos: iogurte natural, kefir, kombucha e leite fermentado

Fontes de prebióticos: aveia, biomassa de banana verde, chicória e linhaça

Por suplementação:

Quando o intestino está muito desregulado, precisamos de doses terapêuticas, que podem ser adquiridas em farmácia ou manipuladas em fórmulas individualizadas. Nesse caso, a reposição precisa ser prescrita por um médico ou nutricionista.

Cuidados importantes com o uso de probióticos

Probiótico não é tudo igual. Cada marca e cada cepa de bactéria tem uma função específica. Tomar o produto errado, ou na dose errada, não vai ter o efeito desejado, e pode até gerar ainda mais gases, estufamento, cólicas e desconforto.

Além disso, pacientes com imunidade muito baixa ou doenças graves devem ser muito criteriosos antes de ingerir bactérias vivas.

Por isso, a automedicação nunca é o melhor caminho. Consulte-se com um médico que atue nessa área para orientar a escolha correta.

FAQ: Perguntas frequentes sobre probióticos e prebióticos

Qual a diferença entre probiótico e prebiótico?

Probióticos são microrganismos vivos (bactérias benéficas) que colonizam o intestino e trazem benefícios à saúde. Prebióticos são fibras alimentares não digeríveis que servem de alimento para essas bactérias boas. O probiótico é o soldado, o prebiótico é o alimento dele. Quando usados juntos, formam o efeito simbiótico.

Posso tomar probiótico por conta própria?

Não é recomendado. Cada cepa de probiótico tem uma indicação específica. A escolha errada pode ser ineficaz ou até agravar sintomas como gases e estufamento. A prescrição deve ser feita por um médico ou nutricionista que avalie o quadro clínico e selecione o produto adequado.

Probiótico substitui uma alimentação saudável?

Não. Os probióticos são complementares a uma alimentação equilibrada. Uma dieta rica em fibras (prebióticos naturais), com baixo consumo de ultraprocessados e açúcares, é a base para manter uma microbiota saudável. A suplementação entra quando o intestino precisa de um reforço terapêutico adicional.

Quanto tempo demora para o probiótico fazer efeito?

O tempo varia conforme a indicação e o estado da microbiota do paciente. Alguns efeitos, como a melhora da consistência das fezes, podem ser percebidos em poucos dias. Outros benefícios, como a modulação do sistema imunológico, podem levar semanas a meses de uso consistente. O acompanhamento médico define a duração ideal do tratamento.

Cuidar do seu intestino é cuidar de toda a sua saúde. Se você apresenta sintomas digestivos persistentes ou deseja orientação sobre o uso de probióticos e prebióticos, procure um gastroenterologista ou coloproctologista para avaliação individualizada.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Gibson GR, Hutkins R, Sanders ME, Prescott SL, Reimer RA, Salminen SJ, et al. Expert consensus document: The International Scientific Association for Probiotics and Prebiotics (ISAPP) consensus statement on the definition and scope of prebiotics. Nat Rev Gastroenterol Hepatol. 2017 Aug;14(8):491-502. DOI: 10.1038/nrgastro.2017.75.

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Suez J, Zmora N, Segal E, Elinav E. The pros, cons, and many unknowns of probiotics. Nat Med. 2019 May;25(5):716-729. DOI: 10.1038/s41591-019-0439-x.

Sanders ME, Merenstein DJ, Reid G, Gibson GR, Rastall RA. Probiotics and prebiotics in intestinal health and disease: from biology to the clinic. Nat Rev Gastroenterol Hepatol. 2019 Oct;16(10):605-616. DOI: 10.1038/s41575-019-0173-3.

Dr. Fernando Bray
Dr. Fernando Bray

Coloproctologista e gastrocirurgião. Doutor e Mestre em Ciências da Saúde, coordenador do Núcleo de Cirurgia Robótica do Hospital Santa Catarina Paulista. CRM-SP 124.696 · RQE 34914 · RQE 35880 · RQE 37825.

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