
Doenças do Intestino
Incontinência fecal: causas, diagnóstico e tratamento
Entenda o que é incontinência fecal, quais as principais causas, como é feito o diagnóstico e as opções de tratamento disponíveis. Guia de especialista.

Os pólipos intestinais são achados bastante comuns nas colonoscopias e costumam gerar muita preocupação nos pacientes. Afinal, a dúvida mais frequente é: pólipo pode virar câncer?
A resposta curta é que depende do tipo. A maioria dos pólipos intestinais é benigna e nunca se transformará em câncer. No entanto, alguns tipos específicos possuem potencial de malignização e, por isso, precisam ser removidos.
É justamente essa capacidade de encontrar e retirar pólipos antes que se tornem malignos que faz da colonoscopia um dos exames mais importantes na prevenção do câncer colorretal. Quando detectamos e removemos um pólipo pré-cancerígeno, estamos efetivamente prevenindo o câncer.
Neste artigo, vou explicar o que são os pólipos intestinais, quais os tipos, como são diagnosticados, quando devem ser removidos e qual o acompanhamento necessário após a polipectomia.
Pólipos intestinais são pequenas elevações de tecido que crescem na superfície interna (mucosa) do intestino grosso ou do reto. Eles se projetam para dentro da luz intestinal, como pequenas saliências, e podem ter formatos variados.
O tamanho dos pólipos varia de poucos milímetros até alguns centímetros. Podem ser únicos ou múltiplos e se apresentam em diferentes formas: pediculados (presos ao intestino por uma haste, semelhante a um cogumelo), sésseis (com base larga e achatada, aderidos diretamente à mucosa) ou planos (quase no mesmo nível da mucosa, sendo mais difíceis de identificar).
A grande maioria dos pólipos é assintomática. Isso significa que o paciente não sente nada e o pólipo só é descoberto durante a realização de uma colonoscopia.
A formação de pólipos intestinais resulta de alterações no padrão de crescimento das células da mucosa intestinal. Em vez de seguirem o ciclo normal de divisão e morte celular, essas células passam a se multiplicar de forma mais acelerada, formando a elevação que caracteriza o pólipo.
Idade acima de 50 anos (o risco aumenta progressivamente com o envelhecimento)
Histórico familiar de pólipos ou câncer colorretal
Dieta rica em gorduras, carne vermelha e alimentos ultraprocessados
Dieta pobre em fibras, frutas e vegetais
Obesidade e sedentarismo
Tabagismo
Consumo excessivo de álcool
Doenças inflamatórias intestinais (Doença de Crohn e retocolite ulcerativa)
Síndromes genéticas como a Polipose Adenomatosa Familiar (PAF) e a Síndrome de Lynch
A classificação dos pólipos é fundamental, pois define o risco de transformação maligna e orienta a conduta médica após a remoção. Os principais tipos são:
São os mais importantes do ponto de vista clínico, pois possuem potencial de transformação em câncer. Representam aproximadamente 70% dos pólipos encontrados nas colonoscopias.
Tubulares: os mais comuns e com menor risco de malignização
Vilosos: menos frequentes, porém com maior potencial de evolução para câncer
Túbulo Vilosos: apresentam características mistas e risco intermediário
O risco de um adenoma se transformar em câncer aumenta conforme seu tamanho (especialmente acima de 1 cm), o grau de displasia celular (alteração das células) e o componente viloso presente.
Pólipos serrilhados:
Antes considerados inofensivos, atualmente são reconhecidos como uma via alternativa para o desenvolvimento do câncer colorretal. Incluem os pólipos serrilhados sésseis e os adenomas serrilhados tradicionais. Podem ser difíceis de identificar na colonoscopia por serem planos e de coloração semelhante à mucosa normal.
Pólipos hiperplásicos:
São os mais frequentes e, na grande maioria dos casos, não possuem potencial de malignização. Costumam ser pequenos (menores que 5 mm) e localizados na porção final do intestino.
Pólipos hamartomatosos:
Raros, geralmente associados a síndromes genéticas como a Síndrome de Peutz-Jeghers. O risco de câncer é variável e depende da síndrome associada.
Pólipos inflamatórios (pseudopólipos):
Formados por tecido inflamatório em regeneração, comuns em pacientes com doenças inflamatórias intestinais. Não têm potencial maligno direto, mas a doença de base (Crohn ou retocolite) já confere risco aumentado de câncer.
Na maioria das vezes, não. Os pólipos intestinais são assintomáticos e essa é justamente a razão pela qual a colonoscopia de rastreamento é tão importante: ela permite encontrar e remover os pólipos antes que causem qualquer problema.
Sangramento nas fezes (vermelho vivo ou sangue oculto detectado em exame)
Alteração do hábito intestinal (diarreia ou constipação sem causa aparente)
Muco nas fezes
Anemia por deficiência de ferro (quando o sangramento é crônico e silencioso)
Dor abdominal (raro, geralmente em pólipos muito grandes)
A presença de sangue nas fezes, mesmo em pequena quantidade, deve sempre ser investigada. Não atribua o sangramento apenas a hemorroidas sem antes realizar uma avaliação completa.
O principal exame para diagnóstico de pólipos intestinais é a colonoscopia. Trata-se de um procedimento no qual uma câmera flexível é introduzida pelo ânus e percorre todo o intestino grosso até o início do intestino delgado, permitindo a visualização direta da mucosa intestinal.
Durante a colonoscopia, o coloproctologista e/ou endoscopista pode identificar os pólipos, avaliar suas características (tamanho, forma, superfície) e, na grande maioria dos casos, removê-los no mesmo procedimento. Essa remoção durante o exame é chamada de polipectomia.
Os pólipos removidos são enviados para análise anatomopatológica (biópsia), que determina o tipo exato do pólipo, o grau de displasia e se as margens de ressecção estão livres. Essas informações são essenciais para definir o intervalo do próximo exame de controle.
Outro exame que pode identificar pólipos é a pesquisa de sangue oculto nas fezes, utilizado como método de rastreamento populacional. Quando positivo, indica a necessidade de colonoscopia para investigação.
A maior parte dos cânceres colorretais se desenvolve a partir de pólipos adenomatosos, em um processo chamado sequência adenoma-carcinoma. Essa transformação é lenta e progressiva, levando em média 10 a 15 anos para que um pólipo adenomatoso se transforme em câncer.
Essa janela de tempo longa é o que torna a prevenção possível. Se realizarmos a colonoscopia dentro dos intervalos recomendados e removermos os pólipos encontrados, estamos interrompendo essa sequência antes que o câncer se desenvolva.
É por isso que insistimos na realização da colonoscopia de rastreamento. Trata-se de uma das formas mais eficazes de prevenção do câncer colorretal que a medicina dispõe atualmente.
Como regra geral, todos os pólipos encontrados durante a colonoscopia devem ser removidos, independentemente do tamanho. Isso porque não é possível determinar com certeza o tipo do pólipo apenas pela aparência visual. Somente a análise microscópica após a remoção confirma se é benigno, pré-maligno ou se já possui focos de câncer.
A polipectomia é realizada durante a própria colonoscopia, sem necessidade de cirurgia adicional na maioria dos casos. As técnicas incluem:
Pinça de biópsia: para pólipos muito pequenos (1 a 3 mm)
Alça de polipectomia com eletrocautério: para pólipos maiores, sejam pediculados ou sésseis
Mucosectomia (ressecção endoscópica da mucosa): para pólipos sésseis maiores ou planos que exigem remoção em bloco
Em casos raros de pólipos muito grandes, com suspeita de malignização avançada ou em localizações de difícil acesso, pode ser necessária a remoção cirúrgica por laparoscopia ou cirurgia robótica, retirando o segmento do intestino onde o pólipo está localizado.
Após a polipectomia, o intervalo para a próxima colonoscopia de controle é definido com base no resultado da biópsia, no número, no tamanho e no tipo dos pólipos removidos.
Pólipos hiperplásicos pequenos e em pequena quantidade: colonoscopia de controle em 10 anos
1 a 2 adenomas tubulares menores que 1 cm, sem displasia de alto grau: controle em 5 a 7 anos
3 ou mais adenomas, ou adenomas maiores que 1 cm, com componente viloso ou displasia de alto grau: controle em 3 anos
Pólipos serrilhados sésseis maiores que 1 cm ou com displasia: controle em 3 anos
Polipectomia incompleta ou em fragmentos (piecemeal): controle em 6 meses a 1 ano
O acompanhamento regular é essencial, pois pacientes que já tiveram pólipos adenomatosos apresentam maior risco de desenvolver novos pólipos no futuro.
Manter o seguimento conforme orientação médica é parte fundamental da prevenção.
Embora nem todos os fatores de risco sejam modificáveis (como idade e genética), medidas comportamentais podem reduzir significativamente a chance de desenvolver pólipos:
Manter alimentação rica em fibras, frutas, verduras e grãos integrais
Reduzir o consumo de carne vermelha, embutidos e alimentos ultraprocessados
Beber água em quantidade adequada ao longo do dia
Praticar atividade física regular
Controlar o peso corporal
Não fumar
Moderar o consumo de álcool
Realizar colonoscopia de rastreamento a partir dos 45 a 50 anos, ou antes, quando há fatores de risco ou histórico familiar
Todo pólipo intestinal vira câncer?
Não. A maioria dos pólipos é benigna e não se transforma em câncer. Os pólipos hiperplásicos, por exemplo, são muito frequentes e quase nunca apresentam risco. No entanto, os pólipos adenomatosos e alguns tipos de pólipos serrilhados possuem potencial de evolução maligna, por isso a remoção e a análise por biópsia são fundamentais.
A remoção de pólipos na colonoscopia dói?
Não. A polipectomia é realizada durante a colonoscopia, sob sedação. O paciente não sente dor durante o procedimento. Após a remoção, pode haver desconforto abdominal leve e, em alguns casos, pequeno sangramento, que costuma cessar espontaneamente.
Pólipos intestinais voltam a aparecer?
Sim, é possível. Pacientes que já tiveram pólipos adenomatosos têm maior probabilidade de desenvolver novos pólipos. Esse é o principal motivo pelo qual o acompanhamento com colonoscopias periódicas é tão importante.
A partir de que idade devo fazer colonoscopia para prevenir pólipos?
A recomendação atual é iniciar a colonoscopia de rastreamento aos 45 a 50 anos para a população geral. Pacientes com histórico familiar de câncer colorretal ou pólipos, doenças inflamatórias intestinais ou síndromes genéticas podem precisar iniciar antes, conforme avaliação do coloproctologista.
Esse é um texto informativo e não substitui a consulta médica. Procure um coloproctologista com título de especialista conferido pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia para avaliação, diagnóstico e acompanhamento adequado.
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