Por que os plicomas anais podem voltar depois da cirurgia?

Se você já removeu um plicoma anal e percebeu que outro apareceu no mesmo lugar (ou perto dele), a primeira reação é de frustração. E até desconfiança sobre a própria cirurgia.
Fique tranquilo: isso é mais comum do que parece, e existe uma explicação médica clara para o que está acontecendo.
O que são os plicomas anais, afinal?
Plicomas anais são pequenas dobras de pele que se formam ao redor do ânus. Não são hemorroidas, embora muitas vezes surjam por causa delas.
Quando uma hemorroida externa incha e depois cicatriza, pode deixar para trás um excesso de pele. E é esse excesso que chamamos de plicoma.
Eles não costumam doer nem oferecer risco à saúde, mas incomodam: dificultam a higiene, causam coceira e, para muita gente, geram desconforto estético e emocional.

Se eu já tirei, por que voltou?
Aqui está o ponto mais importante: na maioria dos casos, o plicoma não "volta". Um novo se forma.
A cirurgia remove o tecido que já existia. Mas se a causa de fundo continuar presente, o corpo tende a criar a mesma dobra de pele de novo. As causas mais comuns são:
Hemorroidas não tratadas na origem. Se o plicoma nasceu de uma crise hemorroidária, e as hemorroidas continuam ativas, é questão de tempo até a pele reagir e formar uma nova prega. Saiba mais sobre o tratamento de hemorroidas com laser.
Esforço evacuatório repetido. Constipação crônica ou o hábito de fazer força ao evacuar aumentam a pressão na região anal e favorecem o surgimento de novas dobras de pele.
Diarreia frequente ou irritação crônica. O atrito e a inflamação repetida também estimulam a formação de tecido cicatricial na região.
Doenças inflamatórias intestinais. Em pacientes com doença de Crohn, por exemplo, os plicomas têm uma tendência maior a reaparecer, porque a inflamação de base persiste mesmo após a remoção cirúrgica.
Cicatrização natural do próprio local operado. Toda cirurgia gera um processo de cicatrização, e em algumas pessoas esse processo forma uma pequena prega de pele residual. Não é o plicoma antigo, mas pode parecer com ele.

O que isso significa na prática?
Não significa que a cirurgia "não funcionou". Significa que remover o plicoma resolve o sintoma, mas não substitui o diagnóstico e tratamento da causa.
É por isso que uma avaliação coloproctológica completa, e não apenas a remoção do plicoma, é o que realmente reduz a chance de reaparecimento.
Quando identificamos e tratamos a causa (hemorroidas, hábito intestinal, doença inflamatória, entre outras), a formação de novos plicomas cai significativamente.
Conheça o tratamento de plicomas anais com laser.
Como reduzir o risco de reaparecimento no dia a dia
Além do acompanhamento médico, alguns hábitos simples ajudam a diminuir a chance de o corpo formar novas dobras de pele na região anal:
Aumente a ingestão de fibras e água. Fezes mais macias reduzem o esforço evacuatório e a pressão sobre os tecidos anais, um dos principais gatilhos para o surgimento de novos plicomas.
Evite ficar muito tempo sentado no vaso sanitário. O hábito de usar o celular durante a evacuação prolonga a pressão na região e favorece o inchaço venoso, que pode evoluir para hemorroidas e, depois, para plicomas.
Não faça força para evacuar. Se sentir dificuldade, é sinal de que o intestino precisa de ajuste na dieta ou de orientação médica, e não de esforço extra.
Cuide da higiene local sem agredir a pele. Prefira água morna e toques suaves; papel higiênico áspero ou lenços com álcool podem irritar a região e atrapalhar a cicatrização.
Trate crises hemorroidárias assim que aparecerem. Quanto mais tempo uma hemorroida fica inflamada, maior a chance de deixar uma prega de pele residual depois que cicatriza. Veja as principais opções de pomadas para hemorroidas.
Retorne às consultas de acompanhamento. O pós-operatório é o momento certo para identificar sinais precoces de um novo plicoma e ajustar o tratamento antes que ele se torne incômodo.
Esses cuidados não eliminam totalmente o risco, fatores genéticos e a anatomia de cada pessoa também influenciam, mas reduzem bastante a probabilidade de reaparecimento e ajudam a manter os resultados da cirurgia por mais tempo.

Quando procurar o Dr. Fernando Bray?
Vale agendar uma avaliação se você:
já removeu um plicoma e percebeu o surgimento de outro
tem plicomas associados a coceira, sangramento ou dor
tem histórico de hemorroidas recorrentes
tem constipação ou diarreia crônicas sem diagnóstico definido
Esse texto tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Cada caso tem particularidades que só um exame presencial pode esclarecer.
Quer entender a causa dos seus plicomas e evitar que voltem?
O Dr. Fernando Bray é especialista em Cirurgia Colorretal e Coloproctologia, com experiência em tratamento de plicomas com laser de diodo.
O foco é sempre resolver a causa, e não apenas o sintoma. Agende sua consulta com o Dr. Fernando Bray
Conclusão
Os plicomas anais são incômodos, mas têm solução. Quando a causa é identificada e tratada junto com a remoção, o risco de reaparecimento diminui de forma significativa.
O mais importante é não tratar apenas o que se vê na pele, mas investigar o que está por trás. Acompanhe o blog do Dr. Fernando Bray.
Perguntas frequentes sobre plicomas anais
Plicoma anal é a mesma coisa que hemorroida?
Não. O plicoma é um excesso de pele, enquanto a hemorroida é uma estrutura vascular dilatada. Porém, muitos plicomas se formam como consequência de crises hemorroidárias.
A cirurgia de plicoma dói muito?
O desconforto existe, mas costuma ser controlável com medicação. Procedimentos com laser, por exemplo, tendem a ter uma recuperação mais confortável do que a excisão tradicional.
Quanto tempo depois da cirurgia o plicoma pode voltar?
Não existe um prazo fixo. Se as causas de fundo não forem tratadas, um novo plicoma pode surgir em meses ou anos. Por isso o acompanhamento é tão importante.
Referências
Weyand G, Theis CS, Fofana AN, Rüdiger F, Gehrke T. 'Bumps down under': hemorrhoids, skin tags and all things perianal. Int J Colorectal Dis. 2021;36(11):2265-78. [Fonte: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34636364/]
Amine SB et al. Perianal Skin Tags Revealing Asymptomatic Crohn's Disease in a 12-Year-Old Child With Growth Impairment: A Case Report. Cureus. 2023;15(4). [Fonte: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37193423/]
Barnes EL et al. Hemorrhoidectomy and Excision of Skin Tags in IBD: Harbinger of Doom or Simply a Disease Running Its Course? Dig Dis Sci. 2019;64(12):3541-7. [Fonte: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31580261/]
Fontes MF et al. Hemorrhoidal disease: Epidemiological study and analysis of predictive factors for surgical management. J Coloproctol. 2024;44(1). [Fonte: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38580520/]
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